Dália Stays

Métricas e indicadores

São os números que dizem se um imóvel de temporada vai bem. Nenhum deles serve sozinho: diária alta com calendário vazio rende pouco, e ocupação cheia com diária baixa também. Cada verbete traz a conta e um exemplo.

ADR (diária média)

ADR é a sigla em inglês para diária média: quanto o imóvel cobrou, em média, por noite efetivamente vendida num período. A conta é a receita de hospedagem dividida pelo número de noites ocupadas. Noite vazia não entra. Serve para comparar o seu preço com o de imóveis parecidos na mesma região e para acompanhar se os reajustes estão se sustentando. Sozinha, engana: diária alta com calendário vazio rende menos que diária moderada com casa cheia.

Na práticaExemplo: um apartamento que fatura R$ 9.000 em 20 noites ocupadas tem diária média de R$ 450. Olhe esse número sempre ao lado da ocupação do mesmo mês. Se a diária subiu e as noites vendidas caíram muito, o reajuste pode ter custado receita.

Veja também: RevPAR (receita por noite disponível), Taxa de ocupação, Yield (rentabilidade).

RevPAR (receita por noite disponível)

Receita por noite disponível, vendida ou não. Divide-se a receita de hospedagem do período por todas as noites em que o imóvel esteve aberto para reserva. Dá o mesmo resultado multiplicar a diária média pela taxa de ocupação. É o indicador que junta preço e calendário num número só, e por isso mostra com clareza se uma mudança de preço valeu a pena. Dois imóveis com a mesma diária média podem ter RevPAR muito diferente.

Na práticaExemplo: R$ 9.000 de receita num mês de 30 noites disponíveis dão RevPAR de R$ 300. A mesma conta por outro caminho: diária média de R$ 450 vezes ocupação de 66,7% (20 de 30 noites). Compare o RevPAR de um mês com o do mesmo mês do ano anterior.

Veja também: ADR (diária média), Taxa de ocupação, Yield (rentabilidade), Cap rate (taxa de capitalização).

Taxa de ocupação

A taxa de ocupação mostra que parcela das noites disponíveis foi de fato reservada. Calcula-se dividindo as noites ocupadas pelas noites em que o imóvel esteve aberto no calendário. Noites bloqueadas para uso do dono ou para manutenção saem da base, senão o número fica injusto com o imóvel. Ocupação alta nem sempre é boa notícia: calendário lotado com muita antecedência costuma indicar preço abaixo do que o mercado pagaria. O objetivo é a combinação de ocupação e diária que traz mais receita.

Na práticaExemplo: imóvel aberto 30 noites no mês e ocupado em 21 tem ocupação de 70%. Se você usou o apartamento por 4 noites, a base cai para 26 e as mesmas 21 noites passam a representar 80,8%. Anote sempre qual base foi usada.

Veja também: ADR (diária média), RevPAR (receita por noite disponível), LOS (duração da estadia).

GOP (lucro operacional bruto)

Termo herdado da hotelaria para o que sobra da receita depois de pagas as despesas diretas de operar o imóvel: limpeza, lavanderia, reposição de itens, pequenos reparos, luz, água, gás e internet. Ainda não foram descontados a remuneração da gestão, o condomínio, o IPTU, o seguro e os impostos. Mostra se a operação do dia a dia se paga. No aluguel por temporada não existe padrão único do que entra nessa linha, então confira a composição antes de comparar relatórios de origens diferentes.

Na práticaExemplo: receita de R$ 10.000 no mês e R$ 2.500 de despesas diretas resultam em lucro operacional bruto de R$ 7.500. Se esse valor encolhe enquanto a receita cresce, procure a causa nas despesas por reserva, principalmente limpeza e lavanderia em estadias muito curtas.

Veja também: NOI (resultado operacional líquido), Yield (rentabilidade), RevPAR (receita por noite disponível).

NOI (resultado operacional líquido)

O NOI responde quanto o imóvel deixa depois de todas as despesas de mantê-lo e operá-lo, antes de parcela de financiamento e de imposto de renda. Parte-se do lucro operacional bruto e descontam-se a remuneração da gestão, o condomínio, o IPTU e o seguro. É o número usado para avaliar o imóvel como investimento, porque não depende de como a compra foi paga. O imposto de renda fica de fora e muda conforme o aluguel é declarado como pessoa física ou por empresa.

Na práticaExemplo: lucro operacional bruto de R$ 7.500, menos R$ 1.000 de gestão e R$ 600 de condomínio e IPTU, deixa NOI de R$ 5.900 no mês. Some os doze meses do ano antes de tirar conclusão, porque um mês de alta temporada sozinho distorce a conta.

Veja também: GOP (lucro operacional bruto), Yield (rentabilidade), Cap rate (taxa de capitalização). Para ir além: Pessoa física ou empresa: a conta com 1, 3 e 5 imóveis.

RevPOR (receita por noite ocupada)

Mede quanto entra por noite ocupada somando a diária e tudo o que o hóspede paga a mais: taxa de limpeza, taxa de animal de estimação, hóspede extra, entrada antecipada ou saída tardia. A conta é a receita total do período dividida pelas noites ocupadas. A diferença em relação à diária média mostra o peso dos extras no faturamento. Se os dois números são quase iguais, o imóvel vive só de diária e talvez haja serviço que o hóspede pagaria e ninguém ofereceu.

Na práticaExemplo: 20 noites ocupadas renderam R$ 9.000 em diárias e R$ 1.200 em taxas e extras. A diária média é de R$ 450 e o RevPOR, de R$ 510 (R$ 10.200 divididos por 20). Os R$ 60 de diferença por noite vieram dos extras.

Veja também: ADR (diária média), RevPAR (receita por noite disponível), Upsell (venda adicional).

LOS (duração da estadia)

Sigla para o número de noites de uma reserva. Uma estadia de sexta a domingo tem duração de duas noites. Interessa ao proprietário porque cada troca de hóspede traz custo de limpeza, lavanderia e desgaste, além do risco de sobrar noite vaga entre reservas. Estadias mais longas diluem esse custo; estadias curtas permitem cobrar mais por noite em datas disputadas. As plataformas deixam definir duração mínima e máxima por período, e é com essas regras que se controla o perfil das reservas.

Na práticaNa dúvida entre aceitar reservas de uma noite ou exigir duas, faça a conta do que sobra. Com diária de R$ 400 e custo de limpeza de R$ 150 por troca, uma noite deixa R$ 250. Duas noites deixam R$ 650 com a mesma limpeza.

Veja também: ALOS (estadia média), Taxa de ocupação, OTA (agência de viagens online).

ALOS (estadia média)

Divida o total de noites ocupadas pelo número de reservas e você tem a estadia média do período. O resultado revela que tipo de hóspede o imóvel atrai: média perto de duas noites aponta para público de fim de semana; perto de uma semana, para férias em família ou trabalho remoto. Também ajuda a prever custo, já que estadia média baixa significa mais trocas e mais limpezas para as mesmas noites vendidas. Acompanhe por temporada, porque a média do ano esconde as diferenças.

Na práticaExemplo: 8 reservas que somam 32 noites no mês dão estadia média de 4 noites. Se no mês seguinte forem 16 reservas para as mesmas 32 noites, a média cai para 2 e o número de limpezas dobra. A receita pode ser igual, mas o custo não.

Veja também: LOS (duração da estadia), Taxa de ocupação, ALOS (estadia média).

Cap rate (taxa de capitalização)

Compara o que o imóvel rende por ano com o que ele vale. Divide-se o resultado operacional líquido de doze meses (o NOI) pelo valor de mercado do imóvel, e o resultado sai em percentual ao ano. Como ignora financiamento e imposto de renda, serve para comparar imóveis diferentes em pé de igualdade, ou o seu imóvel com outras aplicações. Use o valor de mercado atual, e não o preço pago anos atrás, para a comparação fazer sentido hoje.

Na práticaExemplo: imóvel avaliado em R$ 1.000.000 com resultado operacional líquido de R$ 80.000 no ano tem cap rate de 8%. Se o mesmo resultado viesse de um imóvel de R$ 800.000, a taxa seria de 10%. Refaça a conta quando o valor de mercado mudar.

Veja também: NOI (resultado operacional líquido), Yield (rentabilidade), IRR ou TIR (taxa interna de retorno). Para ir além: Calculadora de rentabilidade do seu endereço.

Yield (rentabilidade)

Rentabilidade do imóvel em percentual: quanto ele rende num ano em relação ao que vale. Existem duas versões e a diferença entre elas é grande. O yield bruto divide a receita anual pelo valor do imóvel. O líquido usa o que sobra depois de taxas de plataforma, limpeza, gestão, condomínio e IPTU. Quando alguém apresentar uma rentabilidade, pergunte qual das duas é e o que foi descontado. Anúncio de investimento costuma mostrar a bruta, que é sempre a maior.

Na práticaExemplo: imóvel de R$ 800.000 que fatura R$ 96.000 no ano tem yield bruto de 12%. Se sobram R$ 60.000 depois de todas as despesas, o yield líquido é de 7,5%. É o segundo número que se compara com renda fixa ou com o aluguel tradicional.

Veja também: Cap rate (taxa de capitalização), IRR ou TIR (taxa interna de retorno), ROI (retorno sobre o investimento). Para ir além: Calculadora de rentabilidade do seu endereço.

ROI (retorno sobre o investimento)

O ROI divide o ganho total por tudo o que foi colocado no negócio. No aluguel por temporada, o investimento inclui compra, escritura, reforma, mobília e enxoval. O ganho soma o resultado líquido dos aluguéis e, se houver venda, a valorização. Diferente do yield, que olha um ano, o ROI cobre o período inteiro em que o dinheiro ficou aplicado. Por isso precisa vir acompanhado do prazo: o mesmo percentual em dois anos ou em dez são resultados muito diferentes.

Na práticaExemplo: R$ 1.000.000 investidos entre compra e montagem. Em três anos o imóvel deixou R$ 180.000 líquidos e foi vendido por R$ 1.200.000. Ganho de R$ 380.000 sobre R$ 1.000.000: ROI de 38% em três anos, sem contar o imposto sobre o ganho na venda.

Veja também: Yield (rentabilidade), IRR ou TIR (taxa interna de retorno), Cap rate (taxa de capitalização). Para ir além: Calculadora de rentabilidade do seu endereço.

IRR ou TIR (taxa interna de retorno)

Em português, TIR: taxa interna de retorno. Traduz todo o investimento numa taxa anual única, levando em conta quando cada valor entrou e saiu. Entram na conta o desembolso inicial, o resultado líquido de cada ano e o valor de venda no fim. Dinheiro recebido cedo pesa mais que dinheiro recebido tarde, o que o ROI simples não captura. É a medida adequada para comparar o imóvel com aplicações financeiras, que também são cotadas em percentual ao ano.

Na práticaNão se calcula de cabeça. Numa planilha, liste o investimento como valor negativo no ano zero, o resultado líquido de cada ano e, no último, some o valor de venda. A função TIR devolve a taxa anual. Teste um cenário pessimista de venda antes de decidir.

Veja também: ROI (retorno sobre o investimento), Cap rate (taxa de capitalização), Yield (rentabilidade).

Gross revenue (receita bruta)

Tudo o que os hóspedes pagaram pelas reservas de um período, antes de qualquer desconto: diárias, taxa de limpeza e extras. É o maior número do relatório e o que as plataformas costumam mostrar em destaque. Não é o que chega à conta do proprietário. Dela ainda saem a taxa da plataforma, a limpeza, a gestão e as despesas do imóvel. Serve como ponto de partida e para medir o tamanho da demanda, mas decisões se tomam sobre o que sobra.

Na práticaExemplo: oito reservas no mês que somam R$ 12.000 pagos pelos hóspedes dão receita bruta de R$ 12.000. Ao comparar propostas ou relatórios, verifique se os percentuais de taxa e de gestão incidem sobre a receita bruta ou sobre a líquida. A base muda bastante o valor final.

Veja também: Net revenue (receita líquida), GOP (lucro operacional bruto), NOI (resultado operacional líquido). Para ir além: Quanto fica com você no Airbnb e na Booking.

Net revenue (receita líquida)

Depois que a plataforma retém a taxa dela, o que resta da receita bruta é a receita líquida. É o dinheiro que efetivamente sai do Airbnb ou da Booking em direção à conta de quem anuncia. No Airbnb, o anfitrião no Brasil paga taxa única de 16% desde 15 de setembro de 2026. A Booking não publica a comissão, que consta no contrato de cada propriedade. Algumas planilhas também descontam aqui a limpeza; confirme o critério, porque o termo não tem definição oficial.

Na práticaExemplo no Airbnb: R$ 10.000 em reservas, menos 16% de taxa (R$ 1.600), resultam em R$ 8.400 de receita líquida. Limpeza, gestão, condomínio e impostos ainda saem desse valor. Para entender a cobrança de cada plataforma, veja a reportagem sobre taxas.

Veja também: Gross revenue (receita bruta), GOP (lucro operacional bruto), NOI (resultado operacional líquido). Para ir além: Quanto fica com você no Airbnb e na Booking.

Booking window (antecedência da reserva)

Quantos dias antes da entrada o hóspede fecha a reserva. Para acompanhar, calcula-se a média dessa antecedência nas reservas de um período. Cada tipo de data tem um ritmo próprio: festas de fim de ano e feriados longos costumam ser reservados com meses de antecedência, enquanto fins de semana comuns fecham em cima da hora. Conhecer o ritmo do seu imóvel evita dois erros: baixar preço cedo demais por achar que a data encalhou, ou esperar demais por uma reserva que não virá.

Na práticaExemplo: três reservas feitas com 10, 20 e 60 dias de antecedência têm média de 30 dias. Separe a conta por tipo de data. Se os fins de semana comuns do seu imóvel fecham em média dez dias antes, um sábado vago a três semanas ainda não é sinal de problema.

Veja também: LOS (duração da estadia), Taxa de ocupação, Pricing dinâmico (precificação dinâmica).

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